REDESCOBRINDO MEU CAMINHO

(Publicado em 17.05.2019)

Estou querendo voltar a escrever.

Quando que me mudei do Rio de Janeiro para Santa Catarina, minha vida como escritor da história na qual trabalho há alguns (muitos) anos passou por diferentes fases. Desde o bloqueio inicial, devido ao período de adaptação no novo Estado, novo emprego, nova cultura, até o tempo de retomar a escrita, em que as páginas pareciam fluir, trazendo aquela sensação de "Agora vai!".

Infelizmente, depois desse período de fluidez na escrita, eu fiquei desempregado. Meu contrato como professor do Estado de Santa Catarina acabou e, apesar de fazer as provas - e passar em primeiro lugar -, eu não pude assumir as vagas. Isso, porém, é história para outro momento. Na verdade, já publiquei um textão no Facebook sobre isso, explicando tudo, nos mínimos detalhes.

Enfim... De volta ao Rio de Janeiro, começou todo um novo processo, agora de readaptação. Quem disse que eu conseguia construir uma rotina para escrever? Na casa dos meus pais, sem um espaço propício para a escrita, sem ambiente que estimulasse a concentração. Tudo parecia praticamente perdido. Como disse: Parecia... até o momento em que alguém me falou sobre um curioso livro chamado "O caminho do artista", que busca trabalhar contra o bloqueio criativo em todas as áreas artísticas, entre elas a escrita.


Quem me conhece sabe que não sou de ler rápido. Já cheguei a comentar que acho uma tremenda falta de respeito com o autor (que demora tantos meses para escrever), ler um livro em poucos dias. Mas, no caso de "O caminho do artista", eu devorei o livro! Foi inevitável. Não conseguia parar. Em cada momento de meu dia, sentia a necessidade de abri-lo para ler mais uma linha, um parágrafo, uma página (que se tornava em várias), e vários capítulos! Eu nem guardava o livro. Andava com ele na mão, para cima e para baixo, lia andando, atravessando a rua, esperando o ônibus... E foi incrível  me sentir tão compreendido enquanto realizava a leitura. Sinceramente, acho que nunca fui tão compreendido quanto me senti através desse livro.


Fato é que "O caminho do artista" oferece um programa de aplicação pessoal a ser seguido durante doze semanas. Eu comecei a aplicar as principais práticas (que eu já usava antigamente, sem saber que eram capazes de liberar/estimular a criatividade) mas deixei para realizar o programa semanal quando estivesse relendo o livro. E foi inevitável começar a reler no dia seguinte à finalização da primeira leitura.


Comecei a fazer as atividades propostas que  focam desde os fatos de nosso passado que possam ter causado bloqueios artísticos, até reprovações de nossas expressões durante a infância e falta de apoio familiar, que podem ter resultado em insegurança... Acima de tudo, o livro trabalha o autoconhecimento. Isso me fascina, me inspira! Afinal, é muito bom conhecermos a nós mesmos. É bom de mais saber quem somos. Sabermos nos controlar diante dos impulsos (ou da falta deles).


Eu acredito que, seguindo o processo sugerido por esse livro, vou conseguir (ou melhor, já estou conseguindo) me desbloquear. A vontade de escrever já voltou, afinal, foi assim que comecei esta publicação.


Creio que seja esse o caminho. Os primeiros passos para o retorno do dom, no sentido mais puro que ele tem. Afinal, qualquer tipo de arte deve ser natural, prazeroso, divertido! Quantas vezes entrei no meu quarto para brincar de escritor, e escrevi histórias fantásticas, criei mundos e personagens incríveis! Quantas vezes fui brincar de compositor, imaginando que estava compondo canções para meu álbum que seria lançado, e consegui compor canções belíssimas, que chegaram a ser produzidas e gravadas de verdade! A arte PRECISA se divertir. Ela não deve ser uma obrigação.


Infelizmente a gente cresce e começa a encarar o mundo, o mercado, a sociedade, e deixa de ser artista por prazer.

Como artistas que somos, nos sentiremos expostos, seremos alvo de críticas (boas e maldosas), devemos nos dar o direito de ser artistas "ruins", mas nos dar o direito de ser artistas, produzindo arte, criando, através de toda a nossa forma de expressão. Infelizmente, por muitas vezes, eu preferi deixar de ouvir meu coração, que dizia "Expresse sua arte", para ouvir aos críticos que me diminuíam ou diziam em tom de autoridade: "Apaga aquilo que você publicou!".


As pessoas que nos criticam, na verdade, gostariam de ter nossa coragem. Gostariam de estar em nosso lugar, mas têm medo, estão bloqueados.


Quem é artista, no entanto, não faz arte pelo aplauso, pela aprovação, nem pelo público. Quem é artista de verdade, faz arte por instinto, por sobrevivência. Pois o artista que não faz arte, deixa de existir, perde o sentido da própria vida.


Se eu fosse falar mais sobre esse livro, acabaria escrevendo outro livro sobre tudo de bom que ele me proporcionou na primeira leitura, sendo assim, prefiro deixar que aqueles que se interessarem o leiam e deixem que o efeito dele aconteça de acordo com sua necessidade. Fato é que eu estou com muita vontade de escrever, trabalhar na minha história. Finalizá-la,  não como um dever, mas pelo prazer de sentir a criatividade se movendo dentro de mim. Para dar à luz um filho (meu trabalho concluído) e dar lugar a novas criações, povoar novos mundos e contar novas histórias, todos gerados através de mim.


É só o princípio do recomeço. E eu não estou nem aí para o que irão dizer.

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