SOBRE A INTRODUÇÃO

Atualizado: 18 de set. de 2021




Quando decidi que O REINO deveria começar com uma Introdução, essa não foi uma decisão aleatória. Eu realmente senti que existia a necessidade de falar diretamente com quem lê.


Não que seja minha a voz que ordena “Sente-se”, mas, enquanto o pequeno texto introdutório não ocupou o devido lugar, era como se uma voz dentro de mim dissesse que, em meio à agitação de um tempo globalizado, alguém precisaria aconselhar ao leitor sobre a necessidade de que O REINO fosse lido sem a pressa convencional que o mundo exige.


“Afinal, muitas vezes a caminhada é mais interessante do que o destino”.

(O REINO, p.10)


A história de O REINO acontece em uma Idade Média ficcional. Um tempo onde não havia tanto acesso à tecnologia. Uma terra onde crianças podiam brincar com um pouco mais de liberdade e se divertirem, mesmo enquanto brigavam, criando rivalidades entre grupos que, no fundo, se amavam. Tudo o que viviam ficaria marcado em suas memórias afetivas, como parte de um tempo em que a inocência fazia parte de seu dia a dia. Um tempo tão diferente do nosso, em que tudo (inclusive a infância) parece passar mais depressa.


Creio que, inicialmente, a Introdução tenha sido escrita como uma ordem a mim mesmo.


Houve momentos em minha vida - especialmente quando vivi a transição da infância/adolescência para a vida adulta -, em que pensei que havia perdido a capacidade de imaginar, de enxergar com os olhos internos (os olhos da imaginação) as coisas e os mundos que não existem de forma tangível.


Era como se a vida real, o mercado de trabalho, tivessem arrancado definitivamente os fios que alimentavam e mantinham vivos os resquícios finais de fantasia que ainda existiam em minhas veias.


Quando me sentei diante da escrivaninha, naquela tarde, mais uma vez eu enfrentava um momento de bloqueio criativo. O pior é que eu ainda não sabia como lidar com ele. Foi então que fechei os olhos e comecei a me dar ordens, no tom mais amigável possível. Como se eu retomasse o poder sobre meus pensamentos, numa escolha por voltar a um universo particular de imaginação que parecia estar adormecido dentro de mim.


“Libere seu espírito para ver através do poder de sua imaginação, talvez, há muito adormecida dentro de si. Deixe que seus olhos, mesmo fechados, vejam, contemplem tudo o que estou prestes a lhe contar”.

(O REINO, p.9)


Algo em meu interior dizia que aquelas palavras também serviriam para meu leitor, que, talvez, já não acessasse mais à própria criança interior, capaz de imaginar novos mundos com facilidade. Cuja criatividade aflorava tão natural e espontaneamente que parecia uma fonte inesgotável de ideias, fossem elas travessas ou construtivas.


Minha maior intenção com a Introdução de O REINO é que cada leitor, independentemente de sua idade, consiga enxergar novamente a si mesmo como aquela menina, ou menino, que amava ouvir histórias (fosse na escola, ou quando contada por um familiar adulto). Desejo que meus leitores saibam que a escolha de não permitir que sua criança interior definhe e deixe de existir está em suas mãos.


Somente se o leitor se sentir “pronto”, de acordo com as sugestões do narrador inicial, é que terá a melhor experiência com a leitura dessa história onde o que mais importa não é o final, mas os detalhes contidos ao longo de toda a trajetória.


Assim é a vida. Assim é O REINO.


Douglas Robberts.

08 de Agosto de 2021.



DOUGLAS ROBBERTS é escritor independente. Aos 16 anos de idade, recebeu a missão de trazer O REINO à vida. Após 14 anos construindo um mundo mágico, finalizou a escrita durante a Pandemia (2020) e iniciou o processo de auto publicação, enfrentando os desafios do mercado editorial. O livro tem lançamento previsto para setembro de 2021. Para presentear leitores ávidos por atravessarem os portais de sua terra encantada, publicou “O líquido fumegante e borbulhante para polir a armadura do rei”, um Conto do Reino, disponível na Amazon (KU).






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