UM BELO DIA RESOLVI MUDAR...

(Publicado em 23.01.2018)

Muita coisa mudou desde o último Post.


Eu fiquei de saco cheio do meu emprego que só me sugava e não estava me fazendo crescer em nada. Então, decidi pedir um reajuste na minha carga horária, o que foi negado. Sendo assim, eu pedi minha demissão, com o cumprimento do mês de aviso prévio.

Como trabalho (ou melhor, trabalhava) em escola, eu esperei o fim do ano para que tudo fosse favorável, afinal, não queria causar nenhum tipo de escândalo, ou mal estar para a Direção, só queria que o trabalho deixasse de ser o foco principal da minha vida, para voar aos lugares mais altos que todos dizem (e eu também sinto) que eu vou alcançar.

Pra ter uma noção, eu não estava conseguindo fazer mais nada além de trabalhar. Acordava extremamente cedo, chegava tarde, cansado mentalmente e sem disposição para mais nada. Fim de semana era para ficar em casa, vendo filme e reclamando da minha vida parada. Eu juro que tentava fazer algo para mudar, movimentar a minha vida, mas toda vez que eu tentava, o trabalho sofria e vinham as falhas, seguidas diretamente pelas cobranças.


Cheguei a pensar em fazer sessões no Psicólogo e, enquanto não chegava o dia marcado, eu estudava minha própria vida, para descobrir onde estava o ralo que sugava toda a minha alegria de viver. Eu pensei em me mudar, pensei em começar a estudar canto, pensei em fazer atividades físicas, e eu fiz tudo isso, mas nada resolvia a falta de vontade que eu tinha de me levantar da cama todos os dias.

Somente quando eu falei em voz alta que não queria continuar na mesma função no trabalho no ano de 2018, foi que um mundo fantástico se descortinou diante dos meus olhos. Eu fui para casa naquele dia como não ia há muito tempo. Eu sorria sem motivo, ou melhor, sorria porque estava sem o peso de toda a responsabilidade que jazia sobre meus ombros.

Se ainda fosse um emprego que me pagasse o suficiente para eu ter minha casa, meu carro, comprar tudo o que preciso e ainda conseguir guardar algum trocado pra uma viagem nas férias, tudo bem. Mas, por mais que eu economizasse, eu não tinha condição de fazer nada disso. Pra piorar, minhas férias caíam sempre em alta temporada, o que realmente impossibilitava qualquer pensamento de viajar para longe.


Só havia contras.

Por fim, durante o mês de aviso prévio, eu desenrolei tudo o que faltava no enredo do livro que eu escrevo desde 2007 em parceria com minha irmã (são mais de 10 anos num projeto que só vem sendo adiado por causa de trabalho e estudos). Em um mês, ou menos, eu finalizei todo o Roteiro da história dos pontos de vista dos diversos personagens. Depois disso, na véspera do Ano Novo, para ser mais exato, eu comecei a reescrever a história partindo de outro ponto, e a cada dia eu caminhava em um novo capítulo. Minha mente estava livre para fluir na escrita, para imaginar novos mundos, o lado criativo do meu cérebro havia sido liberado para criar, sem toda aquela burocracia e problemas teóricos do dia a dia do meu trabalho.


Deixei de viajar com a família, deixei de sair de casa, tudo para me dedicar 100% ao Projeto, na única intenção de vê-lo concluído.


Já estava novamente no Capítulo 10 quando minha irmã chegou com a proposta de eu me mudar do Rio de Janeiro para Santa Catarina (Concórdia), para morar com a Caren, minha sobrinha de 19 anos, que faz faculdade nessa cidade. Eu simplesmente aceitei. Dentro de mim, era como se mais uma parte de mim também voltasse a vida! Não havia nada que me prendesse. Eu tinha minhas economias e poderia, sim, atender à proposta, indo para uma cidade muito melhor estruturada do que onde cresci. Um lugar propício para me dedicar à escrita do livro.

Foi assim que, em uma semana, tudo se movimentou para que eu pudesse me mudar.

E posso dizer que, felizmente, a vida é feita de mudanças. Eu mesmo percebo o quanto mudei ao longo de todos esses anos. Antes eu sonhava em simplesmente ter uma casa própria, um carro, uma estante cheia de livros, tempo para fazer o que eu gosto, mas hoje eu percebo que se eu preciso negociar a minha felicidade em troca de uma (falsa) estabilidade, eu prefiro morar de aluguel, pegar UBER quando eu precisar sair (ou até mesmo o busão), prefiro não ter minha carteira assinada, desde que eu esteja fazendo aquilo que me realiza, que torna meus dias mais coloridos e felizes por dentro, mesmo que lá fora esteja tudo cinza e nebuloso.

Não consigo mais me conformar com uma vida "comum" se eu sei que diante de mim existe algo extraordinário aguardando para ser vivido. Basta o primeiro passo de ousadia, de desapego, de fé, para que possamos sair das águas rasas e nos aventurar em alto mar.


Este texto tomou um rumo totalmente diferente do que deveria, mas ele traduz exatamente a mim mesmo, como estou me sentindo por dentro.

Espero conseguir escrever mais vezes aqui, mesmo que ninguém leia.

Até o próximo Post.


Douglas

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